domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quando votar em branco/nulo se torna um tiro no pé

Por Rafael Perich


Procuro não entrar no mérito simbólico do voto em branco/nulo, muito menos no seu impacto no âmbito majoritário (prefeito, governador, presidente e senador). O foco então se dará na esfera proporcional (vereadores e deputados) considerando o sistema eleitoral para avaliar se o voto em branco cumpre seu objetivo.

O voto em branco/nulo para o atual sistema, apenas deixa de considerar aquele número na conta de quociente eleitoral. Isso significa que ao calcularmos quem será eleito e quantas cadeiras cada partido atingiu, o número reduzido de votos válidos (pelos votos em branco ou nulos) faz com que a quantidade de votos necessários para tanto, se reduza.

Para se ter dimensão do quanto se reduz o quociente, a progressão de votos brancos e nulos no estado do Paraná em 2018 fará com que o número de votos necessário por cadeira de deputado estadual seja em torno de  85 mil a 95 mil, isso quer dizer que para eleger um parlamentar, será necessário até 15% menos votos, em comparação  com a última eleição, onde o quociente foi de mais de 100 mil votos.

Com menos votos sendo necessários para eleger uma cadeira, a representatividade diminui e com isso mais pessoas assumem um mandato sem atender o interesse deste mesmo eleitor, que deixou de votar nominalmente ou na legenda, por não se sentir representado, ou para supostamente "protestar".

Por fim, se encontra a justificativa de não votar em um candidato "menor" por receio de que este elegeria alguém que não representa seu voto. Aí acredito que entra um ponto importante, que é a descrença na força de ação/coação do partido e dos candidatos que compuseram a legenda na eleição. Um caminho, então, seria mostrar a união dos mandatos em torno do partido, mostrar o diálogo e a abertura para a população, inclusive aqueles que não votaram nos eleitos, mas que votaram em seus suplentes e colegas partidários, de maneira a respeitar o programa partidário, o fechamento de questão nas casa de lei e a lei de fidelidade dos partidos.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

PRINCIPAIS NOTICIAS DA SEMANA

O blog do Novo Movimento Democrático passa a contar, a partir deste sábado, com a contribuição do jornalista Efraim Neto*, radicado em Brasília, que semanalmente abordará resumidamente as principais noticias do Brasil e do Mundo. CONFIRA AQUI!





BRASIL


Dólar opera em queda, vendido perto de R$ 3,11

Justiça suspende a venda pela Petrobras das ações de Suape e Citepe.

Senado aprovou na 3ª feira (7.fev.2017) a MP 744/16 que altera a estrutura administrativa da EBC. Foram 47 votos favoráveis e 13 contra.

Janot pede nova investigação sobre Renan, Jucá, Sarney e Machado na Lava Jato

Senado aprovou na quarta-feira (8) a reforma do ensino médio. Foram 43 votos favoráveis e 13 votos contrários ao Projeto de Lei de Conversão (PLV) 34/2016
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) elegeu seu novo presidente, senador Edison Lobão (PMDB-MA), e o vice, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Lobão é investigado na Lava Jato. A Comissão tem *10 investigados.

TRE-RJ cassa mandato da chapa do governador do RJ, Luiz Fernando Pezão. Governador vai recorrer da decisão. Até o julgamento final, Pezão continua no comando do RJ.

STF suspende nomeação de filho de Crivella para a Casa Civil da capital fluminense.

Controle da usina de Belo Monte é colocado à *venda por R$ 10 bilhões*.

Temer escolhe Moraes para o STF

Temer e Macri assinam 4 acordos de cooperação entre Brasil e Argentina
- Cooperação em Diplomacia Pública e Digital
- Localidades Fronteiriças Vinculadas para a Prestação de Serviços de Assistência de Emergência e Cooperação em Defesa Civil
- Cooperação Consular e Políticas para Comunidades Emigradas
- Cooperação entre a Apex e Invest

SEGURANÇA

Com crise de segurança, governador do ES transfere poder de polícia ao Exército Estado soma 121 mortes em 7 dias sem PM nas ruas

Mais de 700 policiais são indiciados por crime de revolta no Espírito Santo

RJ tem protestos enquanto parentes de PMs se unem para forçar paralisação

ECONOMIA

Inflação do aluguel avança em janeiro e acumula alta de 6,65% em 12 meses. 

Em dezembro, IGP-M havia ficado em 0,54%, segundo a FGV. 

Inflação medida pelo IPCA é a menor para o mês de janeiro desde 1979. Índice fechou o mês com alta de 0,38%. Em janeiro de 2016, o índice foi de 1,27%. (IBGE)

INPC registra alta de 0,42% em janeiro de 2017. Setor de alimentos e bebidas representa quase 1/3 do consumo

Inflação pelo *PC-S cai de 0,69% para 0,68% na primeira semana de fevereiro. Maior participação saiu do setor de alimentos.

Investimentos da indústria têm pior resultado em 6 anos, aponta CNI. Reclamam da instabilidade do mercado 80% dos empresários. 

Em 2016 a indústria nacional produziu 6,6% menos que em 2015. Apesar da magnitude do dado, no início de 2016 a queda anual era superior aos 10% (IBGE)

Indústria: Todas as grandes categorias apresentaram variação negativa na comparação de dezembro de 2016 com igual mês de 2015. Bens de capital -17,3%; bens intermediários -0,5%; bens de consumo -2,2%, sendo que desta última categoria os bens de consumo durável registraram alta de 4,8% e os bens de consumo não duráveis queda de 3,6%.

O saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 2,725 bilhões em
janeiro, após apresentar superávit de US$ 1,046 bilhão e US$ 282 milhões nas
duas últimas semanas do mês - MIDC
- Jan/17, as exportações somaram US$ 14,911 bilhões, superando as importações, que alcançaram US$ 12,187 bilhões.

Número de desempregados sobe 37% em 2016 e renda recua 2,3%

BNDES tem o pior desempenho em 20 anos,. Banco emprestou R$ 88,2 bilhões no ano passado, valor que representa cerca de 1,4% do PIB.

Desembolsos do BNDES caem 35% em 2016, para R$ 88,3 bilhões
- Segundo o banco, as consultas sobre potenciais financiamentos recuaram 11%*na mesma comparação, a R$ 110,3 bilhões.

Governo Temer vai reduzir em R$ 4,695 bilhões a dotação orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017. A LOA previa despesas da ordem de R$ 1,306 trilhão em 2017.

Governo vai mudar Lei de Recuperação Judicial e facilitar venda de ativos.

MG fechou 2016 com rombo orçamentário de R$ 4,1 bilhões. O resultado negativo é menor que o de 2015, quando o déficit do orçamento chegou a R$ 8,9 bilhões.

Estatais investiram R$ 56,4 bilhões em 2016; 74% da dotação autorizada

60,8% dos consumidores não conseguem renegociar suas dívidas com os bancos, segundo Idec.

Banco Central: índice de commodities denominado IC Br apresentou queda de 0,7% no mês de janeiro com um acumulado de perdas de 9,1% nos últimos doze meses.

Ipea apronta que em 2016 os investimentos acumularam uma queda de 10,8%, se comparado com 2015.

INTERNACIONAL

México

PIB do México cresce 2,2% no 4º trimestre de 2016 ante igual período de 2015.  Próximo relatório sobre o PIB será divulgado em 22 de fevereiro. PIB do país foi 2,3% em 2016.

EUA

Trump põe em prática sua agenda econômica. Uma estratégia de expansão da política fiscal através de programas de infraestrutura, além de corte de impostos

Trump, afirmou ao colega chinês, Xi Jinping, que respeitará o "princípio de uma só China", que proíbe qualquer contato diplomático dos países com Taiwan.

Peru

Juiz ordena prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo, por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em propinas da construtora Odebrecht.


UE

Bruxelas quer acordo que beneficie UE e Reino Unido. 

União Europeia pressiona Itália para reduzir déficit orçamentário. O objetivo é que déficit orçamentário de 2017 caia em cerca de 3,4 bilhões de euros, de acordo com um funcionário do Tesouro italiano

França

Se eleita, Le Pen promete converter parte da dívida francesa em moeda nacional

PIB da França cresceu 1,1% em 2016.

Alemanha

País registra superávit comercial recorde em 2016. País exportou € 252,9 bilhões a mais do que importou.

Economia da Alemanha registra expansão de 1,9% em 2016


* Efraim Neto, jornalista.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

PMDB SE REORGANIZA EM CURITIBA



Na noite de ontem (09 de fevereiro) cerca de 200 pessoas, dentre intelectuais, líderes comunitários, religiosos, estudantis, sindicais e professores se reuniram para discutir o futuro da cidade na Câmara de vereadores no Encontro “Cenários Curitibanos”.

A atividade foi proposta pela bancada de vereadores do PMDB de Curitiba, em parceria com militantes de base e com a Fundação Ulysses Guimarães (FUG) e discutiu temas de interesse da população, como o funcionamento da atividade parlamentar, parcerias possíveis entre sociedade civil organizada e FUG, e o aumento exagerado no preço das passagens de ônibus na Capital.

Além dos vereadores  e anfitriões Noêmia Rocha e Professor Silberto, o Deputado Requião Filho (Presidente da FUG-PR), o Deputado Anibelli Neto (Vice-Presidente do PMDB-PR), Rafael Xavier (Conselheiro Nacional da FUG), Márcia Ferreira(Presidente do PMDB Mulher-PR), Ema Karam (Secretária de Educação e Presidente do PMDB  de S. José dos Pinhais) coordenaram a mesa de debates.

Rafael Xavier abriu o evento e destacou a importância da reunião “este grupo se reúne buscando unificar o PMDB em torno de um projeto que dialogue com o anseio do Cidadão Curitibano. Há uma crise de representatividade institucional instaurada no Brasil, os partidos políticos há muito tempo deixaram de representar a sociedade. Precisamos nos reinventar com dedicação e humildade, para que possamos reverberar a voz das ruas. Este evento é o primeiro passo.

Líder da bancada de vereadores, proponente da atividade, Noêmia Rocha agradeceu aos diferentes segmentos sociais presentes na reunião, falou sobre sua atividade parlamentar e sobre a importância do papel dos vereadores na fiscalização do executivo municipal. Noêmia também elogiou a sinergia entre a bancada, a FUG e o grupo organizador da atividade.

O vereador Professor Silberto destacou sua trajetória política, apresentando aos participantes exemplos de gestão coletiva de espaços públicos empregados na Escola em que dirigiu antes de assumir o mandato. Silberto colocou a bancada de vereadores  à disposição de todos os participantes.

Márcia Ferreira enfatizou a importância da reunião e de projetos partidários a longo prazo, aproveitou a oportunidade para reforçar a importância da maior participação de mulheres na política.

O Vice-Presidente do PMDB-PR, Deputado Anibelli Neto, elogiou a iniciativa do encontro. Falou das dificuldades encontradas pelo partido na campanha de 2016, enaltecendo a importância da eleição de vereadores comprometidos ideologicamente com o partido.

O Presidente da FUG-PR, Deputado Requião Filho, agradeceu a parceria com a bancada de vereadores e a oportunidade de debater os Cenários Curitibanos  “ após as eleições a política continua, nos guia e decide os rumos da nossa cidade”  e complementou “estamos aqui para buscar soluções rumos e saídas para Curitiba”.

Fernando Knoer, pós-doutor em Direito, expôs o funcionamento da  rotina atividade parlamentar, as funções típicas dos vereadores e procedimentos do processo legislativo.

Márcio Carvalho, assessor da FUG Nacional, destacou o momento de crise em que o país se encontra, reforçando a importância da formação  como meio de melhorar a cultura política no país. Carvalho parabenizou a FUG-PR pelos mais de 10 mil alunos capacitados nos últimos anos e abordou diferentes formas de parcerias possíveis entre FUG e assosciações, universidades, escolas, igerjas e sindicatos.

O professor Juliano Geraldi, Mestre em Urbanismo, trouxe dados relevantes sobreo aumento da tarifa de ônibus em Curitiba e deixou uma provocação “as coisas custam quanto custam, mas quanto realmente custa a passagem ?” Ao final, agradeceu ao coletivo organizador  do encontro pela iniciativa

Lafaiete Neves, professor de economia e doutor em desenvolvimento Econômico pela UFPR, autor do livro “movimento Popular e Transporte Coletivo em Curitba” falou sobre os contratos pactuados entre a administração pública e as empresas de transporte coletivo e do resultado das investigações feitas pela CPI realizad sobre o tema na legislatura anterior. Dentre  as curiosidades, o professor destacou a falta e mecanismos de controle mais eficientes  nas informações passadas pelas empresas aos gestores dos contratos.

A última parte do encontro foi destinada ao debate entre todos os participantes, que trouxeram à tona suas demandas e preocupações em relação à nova administração municipal.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Quando o Estado punitivo é política, baderneiro é quem pensa diferente



Temos em vista governo municipal e estadual que seguem a cartilha clássica de Maquiavel, fala que corta da carne, diz que cuida das necessidades básicas das pessoas e quando precisa se utilizar do sistema repressivo do Estado, o usa, a maneira com que sua vontade seja feita, um falso-deus na terra.

Quando vamos para a rua protestar, expôr nossas ideias, fazer o Prefeito entender que é preciso prestar contas a quem votou (e também a quem não votou) ao invés de atender meramente aos interesses de quem financiou sua campanha.

Hoje vimos novamente esse tipo de ação, a polícia repressiva, típica de Beto Richa ou de Rudolph Giuliani, que leva a retirada de liberdades individuais, agindo ao invés de reagir, dando primeiro o tiro e depois perguntando.

Essa política demonstra no alto de seu autoritarismo um desdêm pela opinião pública, deixando-a em segundo plano, torcendo que a mesma se esqueça das atrocidades e se contente com as migalhas dadas, travestidas de grandes propagandas porém de igual valor que as políticas anteriores (estas sem a roupagem moderninha).

Greca, no alto do seu pedestal urgido com as uvas de Baco, aplaude efusivamente pulserinhas, balas de borracha e o que seu dono, manda. Senta, deita, atira, aumenta a passagem e fala mal dos inimigos do governador... O prefeito segue os mandamentos do déspota o qual o elegeu.

Ao prefeito, pedimos que lembre-se de sua autora predileta, a qual dizia "A esperança engana, mente o sonho, eu sei. Que mentiras lindas eu mesma inventei e contei para mim...". Helena Kolody se revira no túmulo.

Aos manifestantes, contem com nosso apoio. No que depender de nós, protestos pacíficos sempre terão vez e voz.

Cenários Curitibanos, o transporte público e o aumento da passagem dos ônibus em debate na Câmara Municipal de Curitiba

 Em reunião com a líder da bancada do PMDB na câmara municipal, vereadora Noemia Rocha, na última
sexta-feira (03), com o conselheiro nacional da Fundação Ulysses Guimarães, Rafael Xavier, foram acertados os últimos detalhes do evento “Cenários Curitibanos”, que acontecerá na próxima quinta-feira (09), às 19h, no auditório da Câmara Municipal de Curitiba.
          De acordo com Xavier, o evento representa uma nova fase de comunicação entre os vereadores, partido e população. “É um grande divisor de águas. Sou filiado ao PMDB há cerca de 15 anos e nunca vimos um partido fazer um evento neste formato na Câmara, o próprio PMDB nunca fez. Há uma crise de representatividade instaurada no Brasil e nosso partido precisa ser a caixa de ressonância da vontade popular no parlamento. Para tanto, precisamos ouvir as pessoas. Vamos falar das coisas da cidade”, destacou.
        O seminário é uma iniciativa da bancada do PMDB na Casa, por proposição dos vereadores Noêmia Rocha e Professor Silberto com o apoio da Fundação Ulysses Guimarães. Entre os assuntos que serão tratados estão processo legislativo, as funções típicas do vereador, o funcionamento do partido, parcerias possíveis da sociedade civil com a FUG e o transporte público. O objetivo é promover um diálogo com a população, trazendo subsídios para o trabalho do legislativo.
         Entre as presenças aguardadas, estão deputados estaduais, federais, dirigentes partidários, líderes comunitários, o senador da República Roberto Requião e o presidente estadual da Fundação Ulysses no Paraná Guimarães, Requião Filho.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O LEGISLADOR COMO CONCILIADOR.

O LEGISLADOR COMO CONCILIADOR[1]

Vivemos tempos em que parece bonito ser extremista, ainda mais na esfera política, porém o extremismo não condiz com a virtude e não leva a bem algum. Ética e extremismo são incompatíveis.
Aristóteles, em sua obra “A Política”, não deixa dúvidas sobre a natureza política do ser humano, demonstrando que o homem é um animal político, sendo o convívio social natural a ele e único caminho para se alcançar a felicidade. O filósofo também defendia que, para se alcançar a felicidade, há a necessidade de se atentar para as virtudes, a prática visando o bem, visando a excelência. Ocorre que, conforme demonstra em “Ética a Nicômaco”, a prática da virtude corresponde justamente em evitar os extremos, ou seja, para se alcançar a felicidade deve-se: buscar o meio termo, a “mediana”.

O mundo passou por inúmeras transformações desde a Grécia Antiga: nasceu o conceito de Estado, houveram guerras e revoluções, a Tripartição dos Poderes se consagrou e evoluiu, entre outras tantas alterações na ciência política e na própria filosofia.  Porém, passados séculos, os ensinamentos de Aristóteles ainda se mostram válidos.

A política é exercida no dia-dia por todo cidadão. Porém, há muito tempo as decisões acerca das medidas sociais e de manutenção do Estado, deixaram de ser exercidas diretamente pelos cidadãos, passando a ser de competência de representantes eleitos para tanto.

Neste contexto há de se questionar como os representantes eleitos - em especial os legisladores[2], pois cabe a eles precipuamente estabelecer as regras vigentes em um território - podem de fato defender os interesses da sociedade. Afinal são inúmeros os interesses dos cidadãos, ainda mais em um país com população tão volumosa como o nosso.

É preciso que os Legisladores se conscientizem disto: eles representam a sociedade e ela não se restringe a um grupo, pelo contrário, é composta de diversos grupos. Em uma democracia a maioria governa, mas todos merecem e devem ser ouvidos.

Neste ponto, normalmente em discursos, frisa-se na origem do próprio Parlamento, local de “parlar” (falar/conversar) e muitos exaltam que as Casas Legislativas são a Casa do Povo. De fato, realmente assim deve ser: as Casas Legislativas devem ser locais onde há diálogo. Local onde, diante de uma questão controversa, objeto de projeto de lei, é necessário que se busque escutar da forma mais eficiente possível todos os setores que serão atingidos ou possuem interesse na questão em debate.
Infelizmente, embora a figura do diálogo seja exaltada em discursos, nem sempre é vista na prática. Inúmeros são os exemplos, dentre eles as inúmeras vezes em que a população é impedida de ingressar nas Casas Legislativas quando há discussão ou votação de projetos – prática aliás condenada por precedentes do Supremo Tribunal Federal.

Na política inexiste a possibilidade de se alcançar qualquer objetivo legítimo sem diálogo. A ausência de diálogo, de participação da sociedade, descaracteriza a própria razão de ser da Representação Política.

Exemplo maior de político brasileiro que tenha desempenhado de forma magistral a arte do diálogo, servindo de intermediador e mediador dos mais diversos setores e interesses sociais foi: Ulysses Guimarães. Presidindo a  Assembleia Nacional Constituinte, sem limitação alguma lhe sendo imposta, conseguiu mediar inúmeros interesses sociais, sendo muitos deles frontalmente conflitantes, deixando como fruto nada menos que a Constituição Cidadã.  O sucesso do texto constitucional de 88 é a grande prova de que a abertura para o diálogo e da busca do termo-médio na política dão resultados grandiosos e benéficos para a população.

Mas o diálogo com a sociedade deve sempre ser mantido, a participação da população e o esclarecimento desta sobre o real teor das proposituras não devem ser restritos aos momentos mais impactantes da história do país.

No entanto, infelizmente, na prática isto não ocorre: embora previstos na Constituição, plebiscito e referendo continuam sendo instrumentos praticamente em desuso e poucas vezes a população realmente é ouvida de fato.

As alternativas adotadas tanto pelo Congresso como pelas demais Casas de Leis – Assembleias e Câmaras – tem sido a realização de Audiências Públicas.

Os últimos Projetos de repercussão nacional que tiveram ampla divulgação e aparente diálogo com a sociedade foram: O Projeto de Novo Código de Processo Civil (aprovado e convertido na Lei 13.105/15); a Proposta de Emenda Constitucional da Fidelidade Partidária (PEC nº 182, aprovada); e As 10 Medidas Contra a Corrupção (PL4.850/16, ainda em tramitação no Senado Federal).
Porém há quem questione a real participação social em tais proposições.

A discussão do Novo Código de Processo Civil liderada por processualistas, embora tenha percorrido os Estados, focou na participação majoritária de juristas. Contudo, há de se convir que em grande parte, em relação a esta legislação especificamente, é justificável tendo em vista se tratar realmente de matéria técnica.

Quanto às 10 Medidas Contra a Corrupção, de iniciativa popular, possui amplo apelo social, mas a forma como são expostas as proposições à população se assemelha a uma campanha publicitária longe de ser esclarecedora.

Por sua vez, a “Câmara Itinerante” percorreu os Estados conduzida pelo então Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, visando, dentre outros objetivos, a formulação de relatório sobre a PEC da Fidelidade Partidária, mas, em verdade, as discussões foram um tanto deturpadas devido aos protestos iniciais sobre o impeachment da Presidente Dilma. A PEC em questão acabou por formalizar manobra partidária que passou despercebida por grande parte da população.

O não esclarecimento adequado acerca da legalidade e constitucionalidade, e até mesmo sobre o teor de Proposições é comum. No Direito Eleitoral foi emblemática a aprovação da Lei da Ficha Limpa (LC135), que contou com ampla propaganda e apoio popular, tendo milhares de assinaturas. Tal lei teve pontos positivos, mas resultou por tornar mais difícil a declaração de inelegibilidade de candidatos e até hoje é alvo de inúmeras críticas de juristas em especial por sua semelhança com legislações do período ditatorial.

Portanto, resta claro a necessidade, verdadeira missão do Legislador, de promover o real diálogo para com a sociedade, analisando-se a fundo as propostas, esclarecendo e ouvindo a população; e não simplesmente montando uma “encenação” para que formalmente conste na tramitação de Projetos que houveram audiências públicas, mas ao final aprovando textos totalmente diferentes do discutido ou que a população desconhece.

Exemplo arquétipo de Audiência Pública e que merece elogios vem do Estado do Paraná, onde por proposição do Deputado Estadual Requião Filho, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, foi convocada a reunião pública com ampla participação popular para discussão do PL 594/15. O PL em questão, de autoria do Dep. Luiz Claudio Romanelli, trata da exigência de Aviso de Recebimento para a negativação do consumidor, tornando irregular a negativação em que este requisito não tenha sido observado.

Houve exposição do Projeto, discussão de seu conteúdo pela sociedade civil organizada, convergências e divergências. Juntada de pareceres de juristas e instituições. Na reunião: instituições de Defesa do Consumidor defendiam o Projeto exaltaram o dever de informação; enquanto instituições representativas dos Empresários demonstraram as conseqüências nefastas que tal exigência trariam (prejuízos milionários e aumento da inadimplência já comprovado com a provação de lei semelhante no Estado de São Paulo). Ao final a Comissão de Defesa do Consumidor concluiu que o Consumidor à luz da Constituição realmente tem o direito de ser avisado previamente de negativação, mas a adoção do Aviso de Recebimento acarretaria dificuldades à própria economia e, ao fim e ao cabo, seria maléfica aos próprios consumidores, pois geraria despesa ao empresariado o que encareceria os produtos e serviços ofertados; devendo outro mecanismo de comunicação (e-mail, SMS, entre outros) ser estudado pela Comissão para que se dê continuidade a tramitação do projeto. Audiência Pública de verdade é assim: tem que escutar os mais diversos pontos de vista, dar voz ao povo, tem que ter divergência. A missão do Legislador diante disto é a de, à luz da Constituição, tentar conciliar os interesses presentes na sociedade.

O Legislativo não deveria ser lugar para extremismos, nem para posicionamentos impulsivos. O diálogo e a ponderação dos argumentos, dos prós e contras, enriquecem a formulação da legislação, auxiliando na busca pela composição de interesses, valorizando e legitimando ainda mais a atividade parlamentar.

A proximidade do político com a população não pode ser restrita às eleições, nem tampouco restrita a própria base eleitoral. Para o Legislativo ser a voz do povo, antes de mais nada, deve abrir as portas para a população e lhe dar ouvido. 





[1]Luiz Fernando Obladen Pujol. Advogado militante na área administrativa e eleitoral. Especialista em Direito Público e Processual. Assessor Parlamentar da Liderança do PMDB no Estado do Paraná. Membro da Fundação Ulysses Guimarães do Paraná.
[2] De acordo com o Art.45 da Constituição Federal, os legítimos representantes do povo no Congresso Nacional são os Deputados, uma vez eleito, eles falam em nome de toda a população brasileira. Da mesma forma os Representantes da população no Legislativo Estadual são os Deputados Estaduais, e no âmbito dos Municípios os Vereadores.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

NOVO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO

Na presente data lançamos  nosso Blog, que pretende ser um espaço colaborativo, para publicações de artigos de opinião, notícias relevantes e reflexões sobre economia, direito, urbanismo e políticas públicas.

O Novo Movimento Democrático nasceu em outubro de 2016,  momento  em que o sistema jurídico, político e eleitoral brasileiro passou a vivenciar  sua maior crise de representatividade e credibilidade, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.

Formado inicialmente por profissionais liberais, empresários, estudantes, intelectuais, trabalhadores de diversos setores, líderes comunitários e servidores públicos, o coletivo pretende discutir e implementar uma nova cultura política na sociedade contemporânea.

O grupo entende que há necessidade de um olhar mais  solidário e humano para as relações interpessoais, que o lucro e  o acúmulo de Capital não devem pautar as ações governamentais e que o Estado Necessário deve ser capaz de erradicar a pobreza e escancarar oportunidades de  acesso às garantias fundamentais previstas na Carta Magna.

Como método de  inserção popular,  pretende despertar o interesse do conjunto da população na discussão política mais aprofundada,  por meio do acesso à informação, promovendo  debates, seminários, palestras e discussões; desenvolvendo projetos  e firmando parcerias  para propor iniciativas inovadoras no campo da gestão pública; ocupando espaços estratégicos na sociedade civil organizada e nas administrações municipais, estaduais e federal; e também elegendo membros do grupo para as diversas  esferas de poder.

Esperamos que gostem!

Por uma nova política, Novo Movimento Democrático.


Curitiba, 02 de fevereiro de 2017.

Colaboram com o projeto:

Rafael Xavier

Bruno Kafka
Paikan Salomon
Janine Rodrigues
Sheila Toledo
Marco Buchman
Marcio Carvalho
Jorge Dib Sobrinho
Thadeu de Drehmer de Mello e Silva
Carlos Lima
Vereadora Noêmia Rocha
Vereador Silberto Cardoso
Juliano Geraldi
Gustavo Mussi Augusto
Sérgio Maia Ricci
Juliano Pires
Rafael Perich
Paulo Langer
Marta Barros
Piter Rosa
Cesar Bond
Professora Claudineia
Professora Cynthia
Andressa Ferreira
Ana Paula Zanatta
Newton Junior
Luciana Mendes
Luciano Carvalho
Luis Fernando Pujol
Marcos Franco
Edgar
Ricardo Brandão - Carioca
Jorge Bosch
John Wesley 
Saul Dorval
Rogério Thomé
Rose Rastafari
Ana 
Valdvino
Sirlete 
Professora Niza
Professor Mozart
Paulo Vieira
Professora Dulce
Olinda Godoy
Miriam - Pq Industrial
Professora Mariema
Teófilo Vicente
Professora Dorotéa
Valentina Lopes
Professora Suraia
Cassiano da Rádo
Davi
Professora Vanessa 
Melanie
Wesley
Professora Dany
Wolney
Antonio Rycheta